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no hay colores oscuras

as grandes coincidências acontecem de dois em dois anos.

partir

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Hoje apeteceu-me ir. Deixar-me ir e partir, para uma experiência diferente, onde as pessoas respondam com sorrisos e gargalhadas. Em que os dias não sejam cheios de cinzento e onde não adoeça noite às 18h. Onde não se fique confinado a um quarto andar, onde se possa voar a partir do rés-do-chão. Onde se possa voar sempre mais, com a simples inclinação de um segway.

Quero viajar. Quero partir como quem sonha, os dedos descolados do chão, os medos evaporados no ar, o coração liberto de amarras, o cérebro a ter descanso uma vez que seja. E dormir quanto se queira sem que o corpo nos doa - por termos dormido demais. As preocupações a partirem-se em pólen de gerberas, manchando o chão, marcando caminho, deixando o traço colorido de uma vida cheia de sorrisos.

Olhar o pôr do sol e sorrir. De mão dada com uma vida completa.

E obrigada, Mónica (http://fragileporcelain.blogspot.com/) por me fazeres sonhar com um Erasmus que não tive.

posted by Annie, 9:13 PM | link | 0 comments |

to

Domingo, Outubro 25, 2009

to exchange doorlocks. to keep heaven doors locked. to shut blinds down. to shut eyes down. to sh sh whispers. to silent memories. to keep heart from sadness. to keep eyes from tears. to keep roofs from rain drops.
posted by Annie, 1:56 AM | link | 0 comments |

colecção

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

insónias. sorrisos. espaços. liberdade. comunidade. vizinhança. familiariedade. agressividade. realidade. sossego. sorrisos. o amor. o chão. sorrisos. nunca a frustração. planos. sorrisos. dedicação. disponibilidade. irritação. os meus dedos. a minha mão. a plena ocupação. pôr do sol. lua cheia. multidão. a solidão.
posted by Annie, 3:28 AM | link | 0 comments |

abandono positivo = ternura infinita

Quinta-feira, Junho 25, 2009


Na véspera de um abandono positivo, ficamos a pensar em quantos abandonos positivos tivemos na vida e como isso nos afecta. Quando tentamos analisar emocionalmente os abandonos, eles parecem-nos sempre negativos, porque os vemos sempre com o olhar da dor. Mas precisamos de os ver pela luz do amor.

Quando se ama, deixa-se partir. Permite-se o abandono, mesmo quando as lágrimas nos esvaziam de sentido. Quando se ama, deixamo-nos partir. E há neste dom do deixar partir sempre um sorriso. Tem que existir sempre um sorriso, mesmo quando se chora. E temos que conseguimos ter esse gesto de altruísmo, porque o altruísmo é amor. " If you love someone, set him/her free." Quando nos lançamos na lógica do amor, abandonamo-nos em absoluto. Mantemos a nossa individualidade, mas damos percentagens do que temos de mais precioso. E só concebo o amor quando essa percentagem é significativa, e quando o processo é recíproco, mesmo que as percentagens não sejam iguais - porque NUNCA são.

E, por isso, quando permitimos o abandono - não vale a pena fazer filmes, encaremos os abandonos de maneira positiva -, temos que dar o sorriso. Um sorriso com lágrimas, cheio de medo e de receios, mas confiemos no futuro e trilhemos os caminhos que nos parecem adequados - somos meros humanos, nada é demasiado certo nem demasiado incerto, usemos o poder de decisão e livre arbítrio - para que os entrecruzamentos das linhas das vidas de cada um se proporcionem.

E deixemo-nos de impossíveis e de dramatismos. Somos todos capazes de tudo. Há uns que se acobardam demais, outros que ousam demais - aonde leva a ousadia em demasia? e onde nos prende a grande cobardia? - e nem a desculpa do dinheiro ou do tempo nos vale. Valer-nos-á a consciência da nossa própria intolerância aos feitios alheios aos nossos - falo por mim, às vezes não tenho paciência nem para mim - e a modificação consciente - ou, como eu gosto de lhe chamar, o "amadurecimento consciente das emoções e das sensações". Somos nós que crescemos e que nos moldamos consoante as vivências que interferem com a nossa atitude. E nunca são elas que nos modificam. É a absorção do seu impacto que tem efeito em nós.

Falo de abandonos, mas não só de relações amorosas. Falo de amigos, pais-filhos, avós-netos, pessoas que vivenciam experiências que as modificam profundamente e as liga por laços indeléveis, que nunca serão quebrados. Que mesmo que a mágoa os assombre, os laços e o amor superam - ou devem superar; se não superarem, é porque os laços, não eram OS LAÇOS.

E a ternura pode ser expressa de maneiras diversas. Uma delas é o deixar ir. É o abandono positivo. Há outras maneiras, como expressar todo um amor num beijo e não precisar de dizer mais nada. E abandonar-se ao amor, que não precisa de palavras, só de olhares. E acho que a imagem do Beijo, do Gustav Klimt, é a representação/apresentação mais verdadeira desse abandono do e pelo amor. Primeiro, porque a maneira como ele pega no rosto dela é a expressão da ternura infinita do amante, todo o carinho entre duas mãos e entre dois pares de olhos. Segundo, depois do beijo, o abandono positivo acontece, porque o amor se transfere, multiplica-se, expande-se. E vagueia, tocando toda a gente sem armadura de metal. Abrir bem os olhos e expandir os braços , sorrir ante um por do sol e um sorriso de um cão ou o riso de uma criança. Maravilharmo-nos todos os dias - TODOS OS DIAS - com o humor da natureza, com a beleza dos gestos humanos, com a riqueza dentro de cada um de nós.

E aí permitimo-nos abandonar-nos de nós mesmos, porque estamos seguros por essa ternura "ambiental". E permitimo-nos descobrir as coisas a que não dávamos importância. Permite-nos avançar com os pés em frente - para onde quer que seja - quando temos o coração cheio de luz - e de medo. Mas temos a certeza - incomensurável e irreprimível - de que esta é "the right thing to do".

Um bem hajam aos aventureiros que ousam amar. O outro, o mundo, a natureza, a aventura, a descoberta, o outro lado ainda mais positivo da ternura e que nos rasga os olhos e nos dilacera a alma, de tal modo que nos transformamos sempre no outro melhor que há em nós. Boa viagem a todos os que ousam navegar as águas imprevisíveis da ternura e da ilusão.

posted by Annie, 3:19 AM | link | 0 comments |

Balbina, Mulher Força

Segunda-feira, Junho 01, 2009

A Sra. Dona Balbina não é mais do que a minha avó pimpona, que se encolhe cada vez que lhe faço cócegas. Ou que me acolhe na intimidade de duas “cosideiras” à janela de casa dela, era eu ainda garota. Que franze o sobrolho, ou faz um olhar de desafio, diz uma piada ou ri, divertida, depois de torcer a boca quando não concorda com alguma coisa ou não quer responder.

Para ela, já não há “nem medo nem espanto”. E parece-me que nunca houve. Desde que me conheço como gente, respeitava tanto quanto admirava a minha avó. Corajosa, desembaraçada, sempre acessível, com o seu génio especial – de que espero ter herdado mais do que a respondonice -, e com a delicadeza suficiente para falar com todos com humildade e despretensiosismo de quem não deve nada a ninguém. Acho que era das pessoas com quem se podia contar. Sem pestanejar.

Parece que, quando eu estava para nascer, íamos as três na ambulância – a minha mãe, a minha avó e eu ainda por nascer – e o bombeiro – que já teria assistido muitos partos a caminho de Bragança – perguntou se íamos só nós. A minha avó respondeu “Não se preocupe, eu já levo a tesoura. E olhe que não é o primeiro!”. Não sei se seria possível estar mais bem protegida que isto!

Foi com ela que aprendi a mudar sucos, a jogar ao “burro contado” e até às damas, a criar momentos de piadas privadas – só nossas, que depois se alargaram aos “nossos” 14 –, a dar nomes a rituais – como a cascanita -, de aprender a sorrir sempre que fazia sol, a rezar o anjo da guarda, a procurar os ovos no galinheiro, a costurar, a olhar mais dentro dos olhos da mula, a fazer as casas abertas e fechadas no crochet, a acelerar o passo quando as oportunidades se nos dão à vista dos olhos.

Ontem, o meu primo foi levar-lhe rosas. Na sua inocência da infância, deu-lhe um beijo, mas ela não acordou. A perspicácia que se lhe seguiu foi a de um neto desta Balbina mulher força: a preocupação de como ficava agora o avô, viúvo desta Balbina mulher força.

Ela tem a missão de iluminar os corações de todos os que hoje lhe prestamos homenagem. E digo isto no presente, porque, no meu coração, ela está só a dormitar. E acordará nas nossas memórias sempre que nos lembrarmos de um momento feliz que tivemos o privilégio de partilhar com ela.
posted by Annie, 11:53 AM | link | 0 comments |