Posted on 1:53 AM | By Annie | In
Noite proveitosa, esta.
Começando algures nos anos 80, com Cazuza, com biografia, discursos directos e delícias cantadas na língua presa que cicia (eu preciso dizer que eu te amo). O Lima Barreto intrometeu-se, exactamente com "O Único Assassinato de Cazuza" ( aqui ), ainda que não o mesmo Cazuza, por questões temporais, com um belo conto que em nada me surpreende para a época de que o autor é. Faz-me lembrar "O meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos, ou de "A Confissão de Lúcio", do Sá-Carneiro, ou "Os Crimes da Rua Morgue" , do Poe, ou "A Morte de Ivan Ilitch", do Tolstoi. Pela narrativa, não necessariamente pela história.
Arrumados - mas abertos, escancarados sobre a cama - estão o do Leo, o do Albert e um qualquer de marketing e relações públicas. Vi fotos, vi vídeos do musical Hair, ouvi mil vezes o Cazuza dizer que precisava de dizer que me amava - ou di-lo-ia para a Bebel Gilberto - , revirei a Única até à página do meio.
No entretanto, uma frase que me chamou a atenção: "proximidade não implica assiduidade". Será esta a premissa do vazio dos conteúdos relacionais e emocionais de uma sociedade ocidental que adia o compromisso, nega o amor e só considera procriar porque é NECESSÁRIO para a taxa de natalidade e a hereditariedade dos genes "vencedores" dos pais que não têm tempo para a familia?
E não saberão nunca - estes , nós, descrentes no amor - isto:
E talvez, seja este o sintoma base de toda a negação deste sentimento:
Isto de ser eremita emocional que pensa demais tem os seus quês de inconveniente.
Começando algures nos anos 80, com Cazuza, com biografia, discursos directos e delícias cantadas na língua presa que cicia (eu preciso dizer que eu te amo). O Lima Barreto intrometeu-se, exactamente com "O Único Assassinato de Cazuza" ( aqui ), ainda que não o mesmo Cazuza, por questões temporais, com um belo conto que em nada me surpreende para a época de que o autor é. Faz-me lembrar "O meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos, ou de "A Confissão de Lúcio", do Sá-Carneiro, ou "Os Crimes da Rua Morgue" , do Poe, ou "A Morte de Ivan Ilitch", do Tolstoi. Pela narrativa, não necessariamente pela história.
Arrumados - mas abertos, escancarados sobre a cama - estão o do Leo, o do Albert e um qualquer de marketing e relações públicas. Vi fotos, vi vídeos do musical Hair, ouvi mil vezes o Cazuza dizer que precisava de dizer que me amava - ou di-lo-ia para a Bebel Gilberto - , revirei a Única até à página do meio.
No entretanto, uma frase que me chamou a atenção: "proximidade não implica assiduidade". Será esta a premissa do vazio dos conteúdos relacionais e emocionais de uma sociedade ocidental que adia o compromisso, nega o amor e só considera procriar porque é NECESSÁRIO para a taxa de natalidade e a hereditariedade dos genes "vencedores" dos pais que não têm tempo para a familia?
E não saberão nunca - estes , nós, descrentes no amor - isto:
Não há precipíciossussurrado ao som de guitarras pela Ana Carolina e o Jorge Vercilo.
na vertigem do amor
Só descobre isso
quem se jogou
E talvez, seja este o sintoma base de toda a negação deste sentimento:
“Nós não nos preocupamos suficientemente com aquilo que se passa dentro de nós mesmos. Combinamos palavras que já foram combinadas milhares de vezes antes de nós. Em nossas mentes, nós assumimos como nossas opiniões completas; e na expressão dessas opiniões, frases completas, quando filosofamos. Nosso estilo completo de expressão e sentimento está contaminado com as mais banais formas de plágio. Nossas palavras estão mortas, nossos pensamentos são frios e apropriados de outros.” (Percy Shelley, em suas Especulações metafísicas)aqui, através daqui .
Isto de ser eremita emocional que pensa demais tem os seus quês de inconveniente.
