Do nada se ter medo de chorar.
Posted on 3:03 AM | By Annie | In
E eu desejaria levantar-me levemente
sobre as paisagens que se enchem de chuva
apaixonada.
Desejaria estar em cima, no meio da alegria,
e abrir os dedos tão devagar que ninguém sentisse
a melancolia da minha inocência.
Tanto desejaria ser destruído
por um lento milagre interior.
Cegar com o rosto contra um ramo abrupto
de relâmpagos.
Eu sei. Quero dizer: eu amo
essa morte no meio da luz, entre crisálidas e gotas,
à noite, de dia -
quando o mês se extingue num supremo amadurecimento.
Descobri que sou complicada de entender porque toda eu sou emoções.
Bom ou mau, assim o sou. E diGO/SSE-O.
Sete anos. EscrevO/ER-TE-EI durante sete anos
Posted on 1:57 PM | By Annie | In
(and that gives me indigestion)
If you rescue me,
I'll be your friend forever,
Let me in your bed,
I'll keep you warm in winter,
Oh someday I know
someone will look into my eyes
and say, "Hello, you're my very special kitten,"
So if you rescue me,
I'll never have to be alone again
Posted on 8:44 PM | By Annie | In
Started as a flicker, meant to be a flame
Skin has gotten thicker, but it burns the same
Still a baby in a cradle, got to take my first fall
Baby's getting next to nowhere with a back against the wall
You meant to make me happy, make me sad
Want to make it better, better so bad
But save your resolutions for your never new year
There is only one solution I can see here
Love, you're all I ever could need
Only one good thing worth trying to be and it's
Love
Posted on 7:46 PM | By Annie | In lamentar
Tenho um feitio lixado e ontem apercebi-me da desvantagem de conhecer gente demais, principalmente quando há gente que se mitra e que nos desilude. Às vezes é raiva, outras vezes é tristeza. Outras vezes, é a perfeita noção de que há pessoas que não valem a pena. E de que, quanto mais longe, melhor.
Posted on 3:02 AM | By Annie | In
Parece que é assim. Tiras-me as palavras, por tanto me travar no que tenho para te dizer.
Se o dissesse, seria com brilho nos olhos, com as mãos em grandes gestos e amplexos enormes dos braços. Seriam risos e saltos, e pegar-te nas mãos ou então fugir para longe de ti, para poder saltar entre os passeios, e olhar para um céu imenso. E depois, de braços bem abertos, sorrir-te. Um sorriso longo, de peito cheio de ar e amor. E aguardar-te. Ficar a olhar para ti, a esperar que venhas, mesmo que o magnetismo entre os nossos olhares seja tanto que não nos consigamos mover, sequer. Depois, devagarinho. Aproximo-me, aproximas-te. A saudade de há dois segundos não te ter já me dói. Depois os momentos infinitos que não te tenho já passaram. Estamos frente a frente.
E mesmo que não compreendas ou não partilhes o que sinto, acho que nem interessa. Conseguir dizer-te tudo o que me vai cá dentro, libertar esta grande bola de fogo que tenho dentro de mim, é mais do que remédio. Espero que as coisas melhorem, passado um tempo. Ou então, sabes, deixarei de te falar. Embora saiba desde sempre que isso não é remédio. Mas compreenderás as minhas pancas, que são sempre por só razão: esta bola de fogo que me consome e que me estrangula a voz num soluço ou num gaguejo. Não sei se coro, nem se corarei na altura. Sei, pacificamente, que o destino tem mistérios curiosos. E que a linha da vida só às vezes deve ser apressada.
Já nem me interrogo porque me dominas assim o sentimento. Mas, às vezes, desejava que passasse. De vez.
Posted on 1:05 AM | By Annie | In
Quanto mais os ouço e os vejo, nos seus tiques de falar caro e na maneira como articulam palavras e canetas, que não servem para mais do que entreter o nervosismo de não saberem o que dizem, mais lhes alimento um ódio bem nutrido, em brasas bem aquecidas a que não tenho pudor de acrescentar umas folhas de oliveira.
Quanto mais crédito se lhes dá, e se ouve com olhos atentos a veracidade oca de que lhe falam, com a certeza no tom das palavras que fazem questão de articular com cuidado – na fala sassamela – e na forma como as mãos acompanham o trajecto que as palavras fazem ao cair da boca dele nos regaços dos outros, mais vontade tenho de adormecer sobre o braço através do cotovelo pousado no encosto do sofá verde.
Quanto mais espaço e mais silêncio se lhes dá, e páginas em branco para meia dúzia de poemas, que não contam uma história nem todos juntos nem separados, e quanto mais excentricidade se lhes desculpa, para fotos de nudez total e outras que tais masturbações mentais, mais vontade tenho de acrescentar ramos e toros à minha fogueira em lume brando, erigir uma pira monumental e queimar manuscritos, “imprimistos” e até os próprios corpos de gente que nunca viveu, jamais, a não ser através de configurações gramáticas herméticas e complicadas que toda a gente compra, mas ninguém lê.
Aos novos poetas snobs, pois. A quem mais?
