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3:02 AM
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By
Annie
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Parece que é assim. Tiras-me as palavras, por tanto me travar no que tenho para te dizer.
Se o dissesse, seria com brilho nos olhos, com as mãos em grandes gestos e amplexos enormes dos braços. Seriam risos e saltos, e pegar-te nas mãos ou então fugir para longe de ti, para poder saltar entre os passeios, e olhar para um céu imenso. E depois, de braços bem abertos, sorrir-te. Um sorriso longo, de peito cheio de ar e amor. E aguardar-te. Ficar a olhar para ti, a esperar que venhas, mesmo que o magnetismo entre os nossos olhares seja tanto que não nos consigamos mover, sequer. Depois, devagarinho. Aproximo-me, aproximas-te. A saudade de há dois segundos não te ter já me dói. Depois os momentos infinitos que não te tenho já passaram. Estamos frente a frente.
E mesmo que não compreendas ou não partilhes o que sinto, acho que nem interessa. Conseguir dizer-te tudo o que me vai cá dentro, libertar esta grande bola de fogo que tenho dentro de mim, é mais do que remédio. Espero que as coisas melhorem, passado um tempo. Ou então, sabes, deixarei de te falar. Embora saiba desde sempre que isso não é remédio. Mas compreenderás as minhas pancas, que são sempre por só razão: esta bola de fogo que me consome e que me estrangula a voz num soluço ou num gaguejo. Não sei se coro, nem se corarei na altura. Sei, pacificamente, que o destino tem mistérios curiosos. E que a linha da vida só às vezes deve ser apressada.
Já nem me interrogo porque me dominas assim o sentimento. Mas, às vezes, desejava que passasse. De vez.