ser sentimentos

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Posted on 2:03 AM | By Annie | In

É estranhíssimo eu não escrever durante demasiado tempo e depois é Timor que me faz escrever.
A música é linda pelo que ela significa, mas ver alguém que não fala do que sentiu, mas é o que sentiu, a mim deixa-me deslumbrada.
E quero ouvir essa musica cantada por ti. Em português, sentida por alguém que é já meio timorense.
Agora, Portugal. Quem sabe, um dia mais tarde, Timor outra vez, Sara?

she won't quit

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Posted on 9:52 AM | By Annie | In


é algo que - espero - tenhamos em comum, nesta parte das nossas vidas. Não desistiremos de tentar o amor pra lá de todas as dificuldades. Pões-me o coração entalado na garganta, quando me contas as loucuras de que és capaz de fazer por amor - ou por maninga da magia de que esses homens de Lospalos são portadores. Numa perspectiva mais ocidental, voltar atrás seria mais fácil e não tão audacioso como perder o avião em Bali e voltar a Dili. A coragem, aqui, será perder a timidez e levar o amor na ponta de um balão. Ou ficar muito tempo a olhar nos olhos e o amor ser como um mar. Afundar-nos em emoções e revolver-nos nas ondas.

Não desistas, Sarita.

Quero contar a tua história de amor (em papel). Deixas?

crime à minha porta

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Posted on 10:08 PM | By Annie | In

morreu um puto de 17 anos. André Campelo. Morava aqui no bairro. Há 4 dias que as pessoas velam o grafitti que fizeram dele. André Campelo. 1991-2008. Um grande tag a dizer CHEIRINHA. THE KING. e a cara dele.

Duas dúzias de velas de cemitério encostadas à parede desenhada. As pessoas sentadas nos canteiros em frente, semeadas pelo passeio e pela rua curta e estreita. A cara dele virada de frente para a lateral do Hospital. Los Bastos escrito no gorro do desenho. A cara pacífica, simpática, até. A dor na cara de todos aqueles que fumam e bebem em frente ao café, lembrando o rapaz.

A lembrança de um puto do LBG - Los Bastos Gang/ Lapa Boys Gang - que morreu com 17 anos. Não sei porquê nem como. Droga, assaltos ou porrada entre gangs. Não sei se tiro, faca ou atropelamento. Todos o vigiam como se o pudessem ressuscitar. E parecem carpir as mágoas no silêncio que teimamos observar sempre que passamos pela parede pintada. Como se o corpo ainda ali estivesse, em câmara ardente. E é alguém que merece o silêncio, porque a dor das pessoas amigas emana daquela parte da rua de paralelos. Puseram 4 paralelos grandes e uma grade de protecção em frente ao graff, para que as pessoas não passem ali nem sequer estacionem naquele lado da rua, para impedir que o tapem. Que tapem a lembrança do André.

Volto a casa, na 3ª saída que faço hoje. À minha frente, a dobrar a esquina e a descer a rua, um rapaz com cerca de 18/19 anos. Ao sentir-me, olha para trás. Volta a olhar para a frente. E ao passar pelo graff que ilustra o André, leva a mão à boca e beija os dedos. Um beijo de respeito e despedida. Olha o desenho com dor. Continua o caminho. E eu não posso deixar de sorrir, ante aquela ternura imensa.