o blog faz um ano. PRECISAMENTE! mas não há nada de novo para contar.
Posted on 6:35 PM | By Annie | In contemplar , ouvir
um dia, ela entendeu 'anda, menina' e foi. abriu o coração e acolheu-o.
numa noite de Contagiarte, no estúdio dois, um cantor com um Superego :p e olhos muito fechados, poucos 'obrigados' e bebendo água para não ter que agradecer.
One-man-show com uma voz bastante boa, mas sem demasiado brilho nas composições, espremendo o coração frágil nas letras das canções. Embalando as músicas nas dobras dos joelhos.
eu senti que ela sentiu assim. ela leu, sorriu e assinou por baixo. tudo por causa dele. (transplantação de emoções?)
Esqueci-me de te ouvir, quando cantavas.
De olhar bem fundo nos teus olhos e beber as tuas palavras como mel,de sentir a tua pulsação - veia com veia, sangue com sangue, pele com pele - e a voz quedar-se-me muda, as mãos quietas, ainda que trémulas.
De avançar e seguir-te por uma rua, sem mudar de direcção e sem que a rua acabe. ou, se acabar, que tu mudes de direcção e que os teus olhos parem.
Nos meus.
E que não seja preciso um toque , nem um sorriso, mas que as palavras que não dizemos se bastem.
Quando somos só nós.
Eu fingi que ele sentiu assim o que ela não lhe chegou a dar.
Ela sorri e interpela-te. Ganha coragem, enche o peito do coração grande que lhe assiste, e beija a suavidade do teu respirar. Tu cruzas um pé sobre o outro e aumentas a distância. O teu bigode encavalitado sobre os lábios finos, a boca pequena, fechada a meia voz, para que ouro que te não sai pela boca seja só teu.
De perfil. Falas com ela de perfil, ainda que estejas de frente. Guardas-te, resguardas-te, mas pedes-lhe um cigarro. Ela adianta-se e dá-te lume. Dar-te-ia a mão, ainda que o não saiba. Sem que seja necessário sair daqui e ir para o mundo encantado de pele de que lhe falas com a tua boca grande. Escondida sob o farto bigode escuro.
Nenhum deles fala assim.
ele canta assim :
"(...)
viciar-me no aroma da tua pele.
Partimos em viagem, paramos para dormir
sussurras-me umas coisas que eu nem posso repetir
e sais para a rua por estar a chover
pões-te em pose, eu fico a ver."
E canta bem. E toca os corações.
Ela escreve aqui. E o seu coração enche-se de amor. :)
numa noite de Contagiarte, no estúdio dois, um cantor com um Superego :p e olhos muito fechados, poucos 'obrigados' e bebendo água para não ter que agradecer.
One-man-show com uma voz bastante boa, mas sem demasiado brilho nas composições, espremendo o coração frágil nas letras das canções. Embalando as músicas nas dobras dos joelhos.
eu senti que ela sentiu assim. ela leu, sorriu e assinou por baixo. tudo por causa dele. (transplantação de emoções?)
Esqueci-me de te ouvir, quando cantavas.
De olhar bem fundo nos teus olhos e beber as tuas palavras como mel,de sentir a tua pulsação - veia com veia, sangue com sangue, pele com pele - e a voz quedar-se-me muda, as mãos quietas, ainda que trémulas.
De avançar e seguir-te por uma rua, sem mudar de direcção e sem que a rua acabe. ou, se acabar, que tu mudes de direcção e que os teus olhos parem.
Nos meus.
E que não seja preciso um toque , nem um sorriso, mas que as palavras que não dizemos se bastem.
Quando somos só nós.
Eu fingi que ele sentiu assim o que ela não lhe chegou a dar.
Ela sorri e interpela-te. Ganha coragem, enche o peito do coração grande que lhe assiste, e beija a suavidade do teu respirar. Tu cruzas um pé sobre o outro e aumentas a distância. O teu bigode encavalitado sobre os lábios finos, a boca pequena, fechada a meia voz, para que ouro que te não sai pela boca seja só teu.
De perfil. Falas com ela de perfil, ainda que estejas de frente. Guardas-te, resguardas-te, mas pedes-lhe um cigarro. Ela adianta-se e dá-te lume. Dar-te-ia a mão, ainda que o não saiba. Sem que seja necessário sair daqui e ir para o mundo encantado de pele de que lhe falas com a tua boca grande. Escondida sob o farto bigode escuro.
Nenhum deles fala assim.
ele canta assim :
"(...)
viciar-me no aroma da tua pele.
Partimos em viagem, paramos para dormir
sussurras-me umas coisas que eu nem posso repetir
e sais para a rua por estar a chover
pões-te em pose, eu fico a ver."
E canta bem. E toca os corações.
Ela escreve aqui. E o seu coração enche-se de amor. :)
Posted on 12:20 AM | By Annie | In contemplar , meditar
O computador carbura a meio gás, a televisão correu uma qualquer série na Rtp2 a que eu não prestei atenção. E, pela segunda vez consecutiva, estou sentada na mesma cadeira para olhar para o mesmo ecrã e ver que o filme 'Vai & Vem', realizado por João César Monteiro, produzido por Paulo Branco, com o próprio João César Monteiro, dá outra vez.
Abre a porta larga e pesada. O escuro rasga-se com a luz da rua.
- A menina não parece uma mulher-a-dias.
O esquelético João César Monteiro pega-lhe na mão com delicadeza e sobe as escadas. Depois volta atrás para fechar a porta com esforço. Apoia-se no corrimão, tira os óculos e espera.
Pausa. Corte.
Ela fuma, deligentemente, por trás de uma cortina amarela, e bamboleia-se ao som de uma música que não existe. O corpo ondula mais provocantemente. Ela ergue o que parece ser um pénis de borracha em tamanho xl.
- Cucu.
Ele vai aos pulinhos ter com ela. Tira de novo os óculos e acaricia-lhe o corpo, a cara.
Pausa. Corte.
A sala vazia, ampla, amarela e vermelha, cheia de luz.
- Adriana.
- Que engraçado. Conheci uma Adriana. Cacarejando por dá cá aquela palha.
- Coitada, também tem direito ao descanso.
- Não imagino a menina a desencardir lençóis.
- Eu não sou da velha guarda, se é isso que quer saber. Confianças, não dou.
- Eu, lá está, estou aposentado, vivo sozinho sem ter que passar vergonhas. Um toque feminino aqui, um toque feminino acolá.
- Já lá vai o tempo em que o camarada Lenine (...) com o machismo. A chama do comunismo é imorredoira. Eu sou vermelha dos pés ... à cabeça (sussurra).
- Eu sou viúvo.
- Não à morte!, cantaremos. Cavalheiro ou camarada?
- Cavalheiro enquanto a terra 100 anos não fôr lavrada.
(...)
- É do camarada Saramago?
- É do cavalheiro Camões.
(...)
- Sabe passajar?
- Tipo gemada?
- Tipo agulha e didal! Costura à antiga.
- Não à morte.
- Cantaremos.
Para leitura surreal, parece-me adequadíssimo. Para filme português, mais do mesmo. Demasiados silêncios, separadores do tempo do cinema mudo. Espaços abertos, pausas imensas, planos gerais e expressões perdidas no fundo do ecrã. Artifícios gestuais. Filosofias dialécticas exageradas. Mas o João César Monteiro é que sabe da coisa. Haja realizadores excêntricos!
Abre a porta larga e pesada. O escuro rasga-se com a luz da rua.
- A menina não parece uma mulher-a-dias.
O esquelético João César Monteiro pega-lhe na mão com delicadeza e sobe as escadas. Depois volta atrás para fechar a porta com esforço. Apoia-se no corrimão, tira os óculos e espera.
Pausa. Corte.
Ela fuma, deligentemente, por trás de uma cortina amarela, e bamboleia-se ao som de uma música que não existe. O corpo ondula mais provocantemente. Ela ergue o que parece ser um pénis de borracha em tamanho xl.
- Cucu.
Ele vai aos pulinhos ter com ela. Tira de novo os óculos e acaricia-lhe o corpo, a cara.
Pausa. Corte.
A sala vazia, ampla, amarela e vermelha, cheia de luz.
- Adriana.
- Que engraçado. Conheci uma Adriana. Cacarejando por dá cá aquela palha.
- Coitada, também tem direito ao descanso.
- Não imagino a menina a desencardir lençóis.
- Eu não sou da velha guarda, se é isso que quer saber. Confianças, não dou.
- Eu, lá está, estou aposentado, vivo sozinho sem ter que passar vergonhas. Um toque feminino aqui, um toque feminino acolá.
- Já lá vai o tempo em que o camarada Lenine (...) com o machismo. A chama do comunismo é imorredoira. Eu sou vermelha dos pés ... à cabeça (sussurra).
- Eu sou viúvo.
- Não à morte!, cantaremos. Cavalheiro ou camarada?
- Cavalheiro enquanto a terra 100 anos não fôr lavrada.
(...)
- É do camarada Saramago?
- É do cavalheiro Camões.
(...)
- Sabe passajar?
- Tipo gemada?
- Tipo agulha e didal! Costura à antiga.
- Não à morte.
- Cantaremos.
Para leitura surreal, parece-me adequadíssimo. Para filme português, mais do mesmo. Demasiados silêncios, separadores do tempo do cinema mudo. Espaços abertos, pausas imensas, planos gerais e expressões perdidas no fundo do ecrã. Artifícios gestuais. Filosofias dialécticas exageradas. Mas o João César Monteiro é que sabe da coisa. Haja realizadores excêntricos!
«Como é meu velho costume não tenho nada a dizer sobre este filme que aliás, neste preciso momento ainda não se encontra concluído. E como é sabido, estas coisas de cinema só se sabem no fim.»
pelo próprio.
Faria anos hoje, dia 2(/02/39), reparei eu no Wikipedia. 69 anos. Mas morreu um dia depois de fazer 64 anos (3 de Fevereiro de 2003).Posted on 8:02 PM | By Annie | In contemplar , saborear
A 23 de Fevereiro de 2007, comecei o No Hay Colores Oscuras numa ressaca de carnaval e de aniversário - e a iniciar a demanda de emprego. Quase um ano depois, há, FINALMENTE, novidades. O Carnaval é daqui a 4 dias, e o meu aniversário só daqui a 18, mas isso não é novidade.Para resumir a situação, começo a trabalhar na segunda feira, às 10h da manhã, na Areosa. Webdesign com uma equipa de engenheiros informáticos - desejem-se sorte, vá! - , e, no último mês, a minha vida balanceou entre três propostas diferentes de emprego , mas que igualmente me interessam. Parece que tive que ameaçar pôr o pé fora do Porto, para o Porto ser bom comigo.
Não é definitivo, e não estou (ainda) satisfeita. Quando se tem, quer-se sempre mais. Mas se não tiver mais, ao menos vou aproveitar o que tenho à disposição.
Ainda para mais, há o JUP, e eu ter assumido a direcção da sua paginação, pelo que, a semana que aí vem vai ser de doidos. O jornal sai dia 15 e até lá há muita pestana para queimar - que não pode ser até muito tarde, devido ao horário de trabalho. Tenho que me habituar a deitar cedo (humpf!)
Tenho ainda uma entrevista na 4ª feira e espero ainda uma resposta de outra proposta.
Dia 25 de Janeiro foi uma noite em grande, porque estive num dos concertos mais vibrantes da minhda vida: Emir Kusturica & the No Smoking Orchestra, no Coliseu. 27 euros tão bem empregues! :D Com uma companhia espectacular: Ana, Carlos e Ana, Joana, Rui, Tero e Ricardo (aquário, aquário, tens ascendente em Caranguejo!).
A Sandrine está a morar comigo este mês - o que torna o meu santuário mais habitável, diga-se! Quando estou sozinha, digamos que sou mais... laissez-faire!
Entretanto, passam pessoas especiais na minha vida. Que, de um modo ou de outro, a mudam. Rui , Tero, Joana, Hugo, Rogério (o bebé mais fofinho deste mundo), Pedro, Cristina, Colldam, Dennis, Miguel e Pedro (JUP). E os amigos de SEMPRE, muito cá dentro do coração - embora tenhamos estado pouco tempo juntos! :(
E menos noites no Piolho e no Contagiarte - não é, Hugo? - parte da culpa é da Sara, que se foi embora para Tenerife, então as coisas deixam de fazer algum do sentido que tinham. Noites celtas e bailebúrdia, quando vens, qnd vens?
E vêm aí os 24. Ainda não é esta a mudança radical, pois não, Danilo?
;)
