porto sem saudades

0

Posted on 3:10 AM | By Annie | In

o Porto morreu um bocadinho dentro de mim. agora não porque não o ame, mas a sua presença tornou-se monótona. é aquele com quem caminho ombro-a-ombro, no futuro que já não inclui Lisboa. e então só vejo Porto. mas o Porto entra-me pelos olhos adentro, intrusivo, metediço, sem me deixar descansar.

voltei hoje. mas com um peso nos olhos e uma raiva nos ombros. enormes. incomensuráveis. que não consigo sacudir dos ombros. não há vagas. vai ser muito difícil. caminho a seguir? lutar para que, para o ano, seja possível e eu envergonhe as médias de17 que se atravessarem no meu caminho!

de uma maneira ou de outra, eu pressentia que algo me ia impedir de ir, e a minha cabeça consumia-se com tudo o que ainda tinha que resolver até ir. mestrado, para o ano vais ser meu. para já, mãos ao trabalho, que há que ganhar dinheiro para ele.

mas os dias cinzentos da Invicta vão ser companhia diária nessa minha demanda.
se eu acreditasse na sorte...

(futuras) saudades da invicta

0

Posted on 3:51 AM | By Annie | In

saí da cama para pensar, já que entretanto a própria cama não me diz grande coisa.
decidi deixar o Porto. o PORTO. a única cidade que alguma vez me transbordou do coração em ondas de amor, de empatia absoluta nas sombras e nos sons pequenos, nos pores de sol, seja da minha marquise, seja da areia da praia. das noitadas nos copos, das conversas e jantares cá em casa, de calcorrear e saber de cor a Baixa - apesar de continuar sem decorar os nomes das ruas. de beber o cafezinho e ficar a olhar para o tecto. para nos sentirmos confortáveis, sem que precisemos de falar. sinto-vos aqui, cá dentro, colados bem cá dentro - como imãs num frigorífico, formando sentimentos.

decidi abdicar do Porto por motivos fortes. não, não é o amor. se fosse por isso, ficava, porque não acredito encontrar o amor nesse outro sítio para onde vou. já me disseram que fazia mal ir para lá - não porque não acreditem nos meus sonhos, mas porque a cidade em si não me merece o mínimo respeito - nem a quem mo disse, sequer.
mas parece que os meus pés se encaminham inevitavelmente para lá, e eu sei que não quero resistir, porque disso depende a minha realização profissional, a minha felicidade.

só eu sei as vezes que já comecei a enumerar as coisas VALIOSAS que vou deixar cá. e os AMIGOS estão todos nessas coisas valiosas. a bem dizer, acho que é a única coisa valiosa que deixo no Porto, porque o resto se relativiza tudo. e não ligo grande coisa às coisas materiais.

mas tenho um sonho que se tem vindo a sedimentar nos últimos tempos. quero ter a certeza que quero fazer isso, e para isso servem estes momentos de isolamento - nomeadamente escrito. sei que há gente que percebe isto perfeitamente, portanto nem me dou ao trabalho de explicar como é cá dentro.

o coração está do tamanho de uma noz. sei que a primeira coisa que vou pensar quando puser os pés naquela malfadada cidade onde vou ter que estudar e trabalhar é 'quero o MEU PORTO'. e os meus amores do coração - os amigos - e tudo o resto só existe com eles. CONVOSCO.

isto é uma declaração de amor. e mesmo que, daqui a 3 semanas, eu saiba q não vou abandonar a Invicta, o sentimento que tenho agora aqui dentro é este.

Como sempre, não disse o que queria dizer. entre o coração e o computador há uma estrada demasiado sinuosa.
j'ai besoin de toi.
.
und das ist alles ich sagen kann .

hoje não

0

Posted on 12:56 AM | By Annie | In

hoje não vou dormir. por mais incrivelmente cansada que esteja, arranjo sempre maneira de espantar o sono.
as pálpebras pesam de sono, as mãos mexem-se como autómatos, a saraivar o teclado de marteladas sistemáticas. os dedos já sabem o caminho de cor. há anos que não preciso de olhar - com lupa - para as teclas do teclado, enquanto escrevo. saio e volto a entrar na marquise quente e cheia de penumbra. os olhos arrastam-se pela casa.

começou na rtp2 uma série interessante - sucesso nos Estados Unidos - Amor no Alasca. É uma comédia romântica em série, como dizem no Público, mas a actriz -de Seis Noites, Sete Dias (ou algo parecido que não me apetece verificar) - encarna uma personagem que, além de vender livros com receitas sentimentais em que nem ela acredita e que não funcionam para ela, vê-se traída pelo noivo com quem ia casar dali a 4 semanas e fica emocionalmente presa a uma terra - Elmo, no Alasca - onde foi para o lançamento de um livro seu. The rest is history. Mas da pequena amostra de hoje, acho que vale a pena dar uma vista de olhos. Para o bom e para o mau.

hoje o Redbull Air Race, brindou todas as cabecinhas que pontuavam as margens do Douro - e eram MILHARES; nem no S. João se vê coisa igual - com uma demonstração de caças - ou algo semelhante (que ninguém dê crédito aos meus conhecimentos de aeronáutica) que finalizou a etapa de qualificação. há momentos em que nos sentimos pequeninos e presos a um chão que queríamos que fosse nosso, mas não é. sinto isso em relação ao Porto. ainda não aprendi a amá-lo, verdadeiramente. mas toda a magia que eu ainda não abarco desta cidade que já ouso chamar de maravilhosa cativa-me e prende-me. e faz-me sentir pequenina e aconchegada do mundo. segunda casa, literalmente. a vista pontuada de luzinhas pequeninas que tenho daqui faz-me sentir em casa. quando quero pensar nas coisas, até a vista do parque de estacionamento é um espelho de mundo.

deu-me o caruncho. pouca gente sabe bem o que isto é, mas é o bicho que liquifica a madeira, por dentro. e sinto-me um bocadinho podre e um bocadinho perdida. finalmente, tenho um portfólio que me reflecte, mas continuo a manter a cabeça cheia de coisas - muitas, muitas coisas - e quando volto a olhar para as propostas de emprego, o ânimo vai-se. querendo fazer tantas e tantas coisas, a inércia instala-se e vai roendo cá dentro. olhando para fora, vejo o meu próprio reflexo no vidro. e não me reconheço. ou melhor, reconheço-me e nego-me.

uma coisa retive : para sermos felizes, precisamos de nos sentir felizes. Por onde devo começar para me encontrar? preciso de ti, e a merda é que tu não sabes. não admira que não me compreendas. os homens acham que as mulheres são mm uma espécie complicada, não somos?