anjos de bicicleta
Sexta-feira, Maio 25, 2007
Cidade dos Anjos, com Meg Ryan e Nicholas Cage, 1998e o Hemingay aparece lá, escrito nas entrelinhas e entranhado na pele, fazendo crer que há-de haver outra Primavera. também acreditas nisso? eu acredito.
em 1961, Ernest Hemingway suicidou-se. entre os seus papéis encontraram uma descrição das coisas de que ele mais gostava:
"To stay in places and to leave. to trust, to distrust. to no longer believe and believe again. to watch the changes in the seasons. to be out in boats. to watch the snow come, to watch it go. to hear the rain. And to know where I can find what I want."
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eu reconheço-me nele. no vaguear pelos espaços. na confiança. nas crenças e nas mudanças. na neve. e no ouvir da chuva a cair. e na certeza de saber que estou cada vez mais perto de encontrar o que me faz feliz. :)
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depois da chuva, componho o teu cabelo. tu pegas na minha mão e eu entrelaço os dedos até perfurar os teus dedos. depois tu beijas-me os nós dos dedos. e ficamos a olhar-nos indefinidamente. interminavelmente.
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despertamento
Fa yeung nin wa (Disponível para Amar), deKar Wai Wong, 2000Hoje falámos deste filme. e também dissemos que seria ainda bem mais encaixado se fossem pessoas como nós. com os nossos contextos. com as nossas vivências. com os nossos corações.
e a melhor parte do filme é quando eles se cruzam na escada, em que a música os acompanha, em câmara lenta. eles cruzam-se, reconhecem-se. e reconhecem-se incompletos e sózinhos. sorriem e combinam um café para ter uma conversa hipócrita sobre a mala dela e a gravata dele (does it click on you? ;) it does click on me.
reconheço uma similitude de processo. não reconheces? pois, já dormes.sempre que falo contigo, fico sem sono. por mais cansada que esteja. despertas-me. sempre que ouço a tua voz baixinha no meu ouvido, mesmo longe. sempre que me sussurras as tuas piadas secas, sem piada, como tu dizes. sempre que me contas de ti e a tua voz fica triste. sempre que peço a tua companhia e tu dizes que já vens. e não tens vergonha de me deixar a mim sem sono? não, eu não tenho vergonha de te manter ao telefone até às tantas. mas se tens de ir embora, que hei-de eu fazer?
atrevia-me a chamar-te algum dos nomes que escolhi. aquele pequenino fica-te tão bem. é tão a tua cara! não achas? beijo roubado e a saber a ponto de rebuçado (a-ha! now it does click on you!)
hoje chove. não vamos de lambreta. vamos de táxiiii ;)
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a tua lambreta
Quinta-feira, Maio 24, 2007
lembrei-me da tua lambreta. da tua vespa a serpentear pela baixa pombalina, a horas indecentes. silenciosamente. serpenteando por lugares onde de dia só circulam pessoas. contornando e desenhando os desenhos da calçada portuguesa com o pneu fino e baixo.
lembrei-me de mim e ti na tua vespa. naquela vespa que ainda não tens. pões o chapéu - que ainda não te fiz - na cabeça, à laia de capacete. eu sento-me atrás, no banco apertado. aperto-me contra ti, o meu peito contra as tuas costas. as minhas mãos na tua barriga. e beijo-te o ombro. ponho os óculos de sol e um grande sorriso. beijo a tua orelha e tu sorris sonoramente.
começas a andar e, chapéu à banda, serpenteias pela calçada. os meus pés vão estendidos para os lados, como se fôssemos voar. e,então, tu largas as mãos do volante. e a tua vespa - e nós nela - levanta voo. em direcção a uma estrela pequenina. muito muito longe. de onde podemos atirar gomas em forma de framboesa para a Terra.
vamos voando felizes. juste comme Amélie et Nino.
Etiquetas: contemplar, fisificar, imaginar, ver
o que tu provocas em mim!
Quarta-feira, Maio 23, 2007
"Eu sinto os teus passos,
na escuridão
Pressinto o teu corpo
no ar, aqui
E vou como se o mundo todo fosse
sugado para dentro de ti
E não houvesse nada a fazer
senão deixar-me ir
Pressinto os teus gestos,
quando não estás
Procuro os teus sonhos,
perdidos
E hoje mais que qualquer outra noite
Há qualquer coisa que me fere
Que me faz querer tanto ter-te aqui
não importa
que às vezes tudo é breve como um sopro
Não importa se for uma gota só
De loucura
que faça oscilar o teu mundo
E desfaça a fronteira
entre a lua e o sol
Se o gesto cair assim,
despedaçado
se eu não souber
recolher, a dor
se te esperar a céu aberto
onde se esconde
O que tu és que eu também sou"
Uma Gota | Mafalda Veiga
olha o que tu provocas em mim. não tens vergonha? devias ter! :)
Visual DNA
"how it might have changed it all"
Segunda-feira, Maio 21, 2007
ontem, agarrei a almofada. mas naquele quarto que já não reconheço, tive que virar as costas à almofada para te sentir ali. e conseguir dormir. adormeci a meio de uma frase tua, como tu a meio de uma frase minha, dias atrás. quem és tu, quem és? quero conhecer mais, quero. vamos brincar aos vampiros? lol olha... "os milagres acontecem/ a horas incertas/ e eu nunca estou em casa/ quando o carteiro passa", como dizem os A Naifa. :) o meu eu renasce. obrigada!
by the way... onde nos encontrámos! :) foi intuição? ficaste, afinal. já não vais embora, pois não? diz que não!
de propósito, só para ti - porque mereces e porque compreendes:
(Oh) Than where you've been
Or how you feel
And it's impossible to tell
How important something was
And what you might have missed out on
And how it might have changed it all"
Intuition, Feist

