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no hay colores oscuras

as grandes coincidências acontecem de dois em dois anos.

Prólogo / Epílogo

Terça-feira, Abril 10, 2007

Chego a casa, arrastando os pés e as malas, atravessando o limiar da porta. A casa está silenciosa e na penumbra das persianas corridas. Não me cheira a lar, não me cheira a aconchego. E, subitamente, parece-me insuportável estar numa casa sem música.

Pouso o saco por desfazer, pontapeado para ao pé da cama, abro a mochila do computador e enquanto o sistema operativo abre, arrumo a comida no frigorífico. Acomodo-me languidamente na cadeira de madeira com costas de travessas e deixo os meus dedos deslizar nas teclas brilhantes do teclado gasto do uso.

Depois de ver os emails sem interesse, abro o caderno com os novos esboços e só então - só quando o silêncio se torna mesmo insuportável - é que me decido, pestanas a fecharem-se sobre os meus lóbulos, a pôr uma música a tocar nas colunas do pc.

Os dedos deslizam rapidamente pelas teclas pretas, escrevendo sobre umas coisas, enquanto penso noutras completamente diferentes. Porque enquanto o meu nível primário de interesse se prende com rituais básicos, o nível secundário sofre de uma angústia patológica que tem um modo ambíguo de expressão, ora contraído , ora descontraído.

Cada vez menos entendo de mim no meu próprio ser. Tu entendes?
posted by Annie, 10:22 AM | link | 0 comments |